sábado, 1 de outubro de 2011

Mesa redonda conclui o VII Congresso de Teologia


Após o intervalo, por volta das 10h30, deu-se início à última atividade do VII Congresso de Teologia do CETESP. A mesa-redonda foi composta por Jeferson Felipe (ITESP), Luiz Guilherme (Assunção/PUCSP), Christian Malengila (EDT), Thiago Nunes (UNISAL/Pio XI), Elias Ribeiro (Claretianos) e Danilo Ferreira (CETESP) sob a moderação do prof. Dr. Bogaz.

Após breve explanação desse momento como síntese das discussões pelo prof. Bogaz, Danilo discursou sobre a importância do CETESP e do Congresso como conjunção prática do ensino, da pesquisa e da extensão – como é próprio da natureza da universidade.



A primeira pergunta disse respeito ao tema escolhido para o VII Congresso. Os participantes foram unânimes em destacar a relevância do tema, que está na linha de frente das necessidades atuais da Igreja com relação ao mundo – já não como aquela que dita as verdades, mas como aquela que corresponde ao desejo fundamental do ser humano de buscar a verdade.
Em seguida, houve momentos de perguntas livres entre os participantes, que retomaram assuntos, aprofundaram problemas e apontaram lacunas a partir das conferências feitas pelos especialistas convidados.
Pouco antes das 12h, encerrou-se esse momento com sorteio de livros e camisetas. Em seguida, o presidente do CETESP, Jefferson Costa, agradeceu novamente à equipe (já apresentada ao público no início da manhã), aos anfitriões (ITESP) e a todos os que participaram do Congresso.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

6ª CONFERÊNCIA: Teologia na universidade: imposição ou possibilidade? Relações entre a Teologia e as ciências contemporâneas. Por João Décio Passos


Na última conferência de nosso VII Congresso de Teologia do CETESP, prof. João Décio* falou sobre a necessidade de superar o paralelismo entre o saber teológico e os demais saberes. Num mundo hegemonicamente científico, a teologia vive numa posição desconfortável, tanto na prática – na adaptação a um mundo técnico-científico – quanto na teoria – quando se vê num lugar de suplência da ciência.
Segundo ele, criticamos a tecnologia, mas continuamos a usá-la amplamente, o que gera hipocrisia. Por outro lado, pode-se cair na reprodução desse sistema; assim, no âmbito do simbólico, a teologia acaba colaborando com isso – por exemplo, com a teologia da prosperidade.
As várias reações diante desse quadro geram teologias perigosas de várias matrizes, tais como: a “teologia dos milagres” (à caça de fenômenos sobrenaturais); a “teologia supletiva” (que viria a explicar o que as ciências não conseguem ainda); a “teologia determinista (que afirma a separação entre fé e razão; e as “teologias metafísicas” (que subordinam todo conhecimento ao tema Deus).
Em tal contexto, o conferencista apontou algumas saídas. Primeiramente, a de superar a ilusão epistemológica de que exista uma única verdade ou de que a teologia seja uma síntese das ciências. Outro caminho pode ser o da complementação e autonomia dos princípios, que postula a auto-suficiência metodológica concomitante à insuficiência epistemológica, o que mostra os limites de cada ciência e complementaridade das abordagens.
Para um diálogo fecundo, seria preciso superar as pretensões tanto por parte das ciências quanto da teologia. Assim como a ciência se compreende como uma construção, a teologia poderia aprender como isso – aliás, a própria história da Teologia levaria a crer nisso.
Terminada sua palestra, o professor respondeu aos questionamentos dos expectadores.

* Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Livre-docente em Teologia pela PUC-SP, onde é professor associado no Departamento de Ciência da Religião. Ex-diretor da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter).      

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

5ª CONFERÊNCIA: Teologia: uma ética da Vida com as outras? Por Pe. Léo Pessini


O conferencista deste dia, Pe. Léo Pessini*, MI, famoso pelas obras no campo da bioética, falou sobre as várias concepções de saúde: seja como direito, assegurado pela Constituição dos países; como qualidade de vida; e como negócio, que a reduz ao âmbito comercial e limita seu acesso aos mais carentes.
Ele afirmou que a reflexão sobre a relação entre Teologia e saúde – bem como a ecologia – é uma conquista recente e privilégio de quem estuda teologia neste século. No entanto, hoje se observa que os teólogos da área da bioética são mais valorizados fora do que dentro da Igreja.
A respeito da passagem de uma concepção de saúde como silêncio dos órgãos (ausência de sintomas) para a aquela do bem-estar integral, o conferencista insistiu sobre a dimensão samaritana da saúde, isto é, o saber cuidar do sofrimento do outro.
Também entre os médicos essa mentalidade estaria em mudança, como o demonstra o recente código de conduta da classe, que explicitou a necessidade de o médico cuidar também da espiritualidade do paciente, numa clara indicação de que se está superando o modelo biológico-mecanicista de outrora.
Após sua fala, o palestrante respondeu a dúvidas dos participantes do VII Congresso.
Às 10h30, logo após o intervalo, deu-se início às oficinas - nove ao total.
* Camiliano, professor doutor em Teologia Moral; pós-graduado em Clinical Pastoral Education and Bioethics pelo St. Luke's Medical Center, em Milwaukee (EUA); membro da Diretoria da Associação Internacional de Bioética; superintendente da União Social Camiliana e vice-reitor do Centro Universitário São Camilo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

4ª CONFERÊNCIA: Teologia na "pós-modernidade": por uma relação entre Filosofia e Teologia. Por Pe. Manfredo



Na primeira metade desta manhã, Pe. Manfredo Araújo de Oliveira* presenteou-nos com mais uma bela conferência. Seu discurso abordou a relação entre a Filosofia e a Teologia no contexto da pós-modernidade e deu-se num viés epistemológico e histórico.
Ele enfatizou que a realidade sobre a qual versa a Filosofia é a mesma da Teologia; por isso, não se pode concordar com a proposição de Pascal de que o Deus de Abraão, Isaac e Jacó não corresponde ao “deus dos filósofos”. Trata-se da mesma e única Realidade absoluta e concretíssima, que os dois discursos – igualmente humanos e que se desenvolvem na inteligibilidade – podem acessar, com suas diferentes perspectivas. Daí que uma filosofia atéia possa ser tida como autêntica, mas não merece ser chamada de radical.
Sobre o modo de proceder das duas abordagens, o palestrante lembrou que a Filosofia parte de coisas simples, para, progressivamente, dedicar-se às realidades mais complexas. Doutra parte, a Teologia parte do Ser concretíssimo, revelado na história, mas tem que refletir sobre tudo o que é pressuposto para o falar sobre esse Ser, o que deve passar necessariamente pelas realidades humanas.
Após falar por 45 min, o conferencista dedicou-se às perguntas da platéia, em mais um momento rico de reflexão. Em suma, ele apontou duas tarefas: no campo filosófico, a necessidade de superar os pressupostos kantianos, que se fecham à questão da transcendência e têm recebido críticas oportunas atualmente; no campo teológico, o convite a nos contentarmos em apresentar Jesus como uma proposta e testemunhá-Lo, sem a pretensão de um retorno aos tempos da Cristandande – mesmo nas sutis maneiras de a Igreja sustentar-se no poder.
Também foi evocado o discurso de Bento XVI na recente viagem à Alemanha, quando afirmou que compete à Igreja testemunhar Jesus Cristo e não modernizar-se – no sentido de aderir a uma escala de valor que enfatize a posse e outras realidades passageiras. É preciso, seguir Jesus, que não tinha “onde reclinar a cabeça”.
Após o intervalo das 10h, a segunda metade da manhã apresentou ao público duas sessões de comunicações – dezenove ao total – com diferentes temas e abordagens.

* Graduado na Faculdade de Filosofia de Fortaleza, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, e doutor em Filosofia pela Universität München Ludwig Maximilian. Atualmente, é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC). 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

3ª CONFERÊNCIA: Fé e Ciência: um diálogo possível?, com o Pe. Anibal


A segunda conferência do dia – e terceira do VII Congresso – foi ministrada pelo Pe. Anibal Gil Lopes*. Sua reflexão pautou-se sobre as diferenças entre o discurso científico e o discurso da fé, que se distinguem pelo modo como lidam com as realidades observáveis. Em meio às divergências insuperáveis, ambos têm seu ponto comum na atestação de que nem tudo o que não fora ou não pode ser observável pode ser tido como inexistente – como era o caso do mundo microscópico, desconhecido por um longo tempo da história humana, mas sempre presente e atuante no mundo.
Ele lembrou que há 13 anos, em 18 de setembro de 1998, era publicada a Fides et Ratio. A partir dela, poder-se-ia dizer que tanto a ciência quanto a religião lidam com a contemplação. Uma dirige sua contemplação para fora, e a outra para o interior, ainda que a manifestação divina se encontre extra nos; a ciência se dedica a analisar as coisas criadas, e a fé se dedica a buscar seu Autor.
Pe. Aníbal lembrou das dificuldades de dialogar a partir desses dois paradigmas, o que é similar ao diálogo entre as religiões – sempre exigente e complicado, mesmo entre as crenças monoteístas. Para um diálogo produtivo, que respeita tanto a identidade quanto a alteridade, é necessário o correto uso da razão, o que promove tanto uma fé esclarecida quanto uma ciência lúcida.
O grande problema para o diálogo entre as ciências e a religião diria respeito à prepotência, que mina as condições para um encontro sadio, baseado na tolerância e na reciprocidade. E, para os cristãos, o antídoto para a prepotência não seria uma fé embotada, mas uma vida interior de qualidade – a qual não é necessariamente proporcional ao estudo teológico.
Após sua reflexão, a platéia dirigiu algumas questões ao palestrante.


* Médico livre-docente pela USP, pós-doutor pela Yale University e Professor Titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. Membro da Pontifícia Academia Pró-Vita, da comissão de pesquisa em seres humanos do ICB-USP, e assessor de bioética da CNBB. Membro Correspondente Estrangeiro da Classe de Ciências da Academia de Ciências de Lisboa desde 2008.